Gravidez tardia eleva chances de viver até aos 95

À medida que mais e mais mulheres optam por ter filhos depois dos 30 anos, há também alguma preocupação sobre a capacidade dos seus corpos reagirem positivamente a uma gravidez tardia.

No entanto, um estudo revelou que as mulheres com filhos nascidos de forma natural em fases mais avançadas da vida têm tendência a viver mais anos; e os genes que permitem a reprodução tardia são também responsáveis pela maior longevidade da mulher.

Em que se baseou o estudo

Gravidez-tardia-aumenta-longevidade

O estudo baseou-se na análise dos dados de uma pesquisa genética de 551 famílias onde muitos membros dessas famílias têm vidas excecionalmente longas.

Depois de identificar a idade em que 462 mulheres tiveram seu último filho e a idade até que essas mulheres viveram, os investigadores concluíram que as mulheres que geraram seu último filho depois dos 33 anos tinham o dobro das possibilidades de viver até aos 95 anos ou mais, em comparação com mulheres que tiveram seu último filho aos 29 anos.

“Achamos que os genes que permitem às mulheres ter filhos de maneira natural numa idade mais tardia, são os mesmos que têm um papel muito importante no retardar do envelhecimento e redução do risco de doenças relacionadas com a idade, como as doenças do coração, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e câncer”, diz o Dr. Thomas Perls autor do estudo conduzido pela Escola de Medicina da Universidade de Boston e publicado na revista científica Menopause.

Estes resultados também indicam que as mulheres podem estar passando os genes da longevidade que retardam as alterações relacionadas com a idade que ocorrem nas células do nosso corpo, fazendo-nos viver mais tempo, para as gerações futuras.

“Se uma mulher tem essas variantes, ela é capaz de reproduzir e ter filhos por um longo período de tempo, aumentando suas possibilidades de passar esses genes para a próxima geração”, disse Perls.
Estes resultados corroboram com descobertas anteriores, que indicam que as mulheres que geraram filhos aos 40 anos tinham quatro vezes mais probabilidades de viver até aos 100 do que mulheres que pariram seu último filho em idades mais jovens.

Esses estudos indicam que quanto maior for o período fértil da mulher e quanto mais tardia for a menopausa, mais longínquo será o aparecimento de doenças relacionadas com a idade, como Alzheimer, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, o que implica que essas mulheres vivem mais anos.

Estes resultados têm implicações significativas no estudo do envelhecimento retardado e das doenças relacionadas com a idade, dizem os investigadores. O estudo também nos leva a especular se o prolongamento do período fértil nas mulheres é o caminho evolutivo para estender o tempo de vida humano.

Isso significa que deve esperar até aos 33 para ter filhos?

Claro que não! Esse estudo pretende ser uma boa notícia para muitas mães que são forçadas a adiar o seu projeto de gravidez por causa da carreira, problemas económicos ou outros fatores.

“É claro que esse estudo não significa que as mulheres devem esperar para ter filhos em idades mais avançadas, a fim de melhorar as suas próprias probabilidades de viver mais tempo” diz Thomas Perls.

A maior parte dos médicos sugere que o primeiro filho seja gerado de preferência antes dos 35 anos e que a idade serve apenas de referência.

“A idade no último parto pode ser um indicador de taxa de envelhecimento. A capacidade natural de ter um filho em idade mais avançada provavelmente indica que o sistema reprodutivo da mulher está a envelhecer lentamente, e, portanto, também o resto do seu corpo” explica Perls.